
Construir uma skatepark é muito diferente do que construir um prédio ou viaduto. É preciso imaginar todas as possibilidades do terreno, transformar aquele espaço em um local útil para os skatistas.
O norte-americano Joe Ciaglia encontrou a formula perfeita para se construir uma Skatepark. Seu nível de aprimoramento foi tão grande que sua empresa, a Califórnia Skateparks, constrói hoje as áreas dos X Games, Street League e Maloof Money Cup. A tecnologia desenvolvida por Ciaglia permitiu que Plazas inteiras sejam construídas e destruídas em apenas cinco dias revolucionando as competições de skate.
Joe é o tipo de CEO que coloca a mão na massa, sua primeira skatepark foi construída em há mais de 10 anos e até hoje o construtor estuda e desenvolve cada um dos projetos como se fosse um filho seu.
Leia a seguir a entrevista completa com Joe que dá um verdadeira aula de como construir uma skatepark.

Como foi seu começo construindo pistas?
Eu costumava andar de skate quando era adolescente. Mas a primeira vez que eu construí uma skatepark foi em 1998.
Esta primeira skatepark foi construída em La Verne, Califórnia. Eu já trabalhava para a prefeitura da cidade como construtor e então eles me convidaram para construir uma skatepark.
Esta era uma época que não existiam muitas pistas nos Estados Unidos. O interessante é que eu trabalhava construindo residências, e ao contrário dos outros construtores que trabalhavam para a prefeitura, eu tinha um padrão de qualidade muito superior.
A maioria dos construtores faziam calçadas e ruas, enquanto eu trabalhava com piscinas e acabamentos. Foi exatamente este padrão de qualidade que nós colocamos nesta primeira skatepark.
Mas esta história não parou na construção. Muitos dos projetos que chegavam em nossas mãos não pareciam adequados. Isso não deixava a gente feliz. Decidimos que teríamos que conscientizar as comunidades da importância de um projeto correto.
A primeira pista que construímos por completo foi a skatepark de Fontana na Califórnia. No local nós construímos um projeto por completo desde o desenho até a construção em si. Hoje Fontana tem uma pista de mais de 3mil metros quadrados com área para iniciantes, um área de street completa e um bowl gigante.

Quais são suas qualidades como construtor de skateparks?
Antes de qualquer coisa eu tenho uma equipe de skatistas profissionais como consultores. Colby Carter, que é meu chefe de design foi skatista profissional. Tenho como consultor nomes como Lance Mountain que me ajudam muito a fazer escolhas corretas.
Nossa equipe dá vida a uma skatepark, nós conversamos sobre a parte estética e sobre a parte funcional, sobre a combinação dos obstáculos como um todo.
Não queremos apenas uma skatepark, queremos um espaço que se ajuste a comunidade, uma pista que pareça que sempre esteve naquele lugar.
Com a ajuda dos designers e dos skatistas podemos ter idéias ilimitadas e com a nossa expertise colocar estas idéias em prática. Isto pode ser um full pipe, uma transição gigante ou formas skatáveis.
Esta equipe multidisciplinar já teve algumas idéias que na hora de transformá-las em concreto não ficaram boas, mas como nosso time está sempre reunido tivemos condição de fazer todos ajudes e mudanças necessárias.
Qual é a importância de escolher o material correto para construir uma skatepark?
O material correto é muito importante. Neste momento estamos usando uma mistura de concreto de 4 mil PSI. Esta mistura é muito dura. A sensação de andar em uma superfície assim é maravilhosa .

Nós usamos também um tipo de concreto ecologicamente correto chamado de “Fly Ash”. Ele é basicamente um substituto para o concreto. Nós estamos usando também mantas de fibra de vidro nas transições. Isto evita as trincas.
Nós nos preocupamos muito com o terreno também, preparamos a superfície para receber o concreto e depois chegamos a esperar até duas semanas para deixar o concreto totalmente seco. Isto ajuda na dureza e na durabilidade da skatepark.
Se o concreto não ficar duro o suficiente, a pista não irá durar nada.
Quais são os novos materiais que estão sendo usados na construção de pistas?
Nos últimos três anos nós colocamos a fibra de vidro em prática. Nós já havíamos usado no passado, mas a manta era muito grossa e deixou a superfície muito ondulada.
Esta nova fibra é muito fina e leve. Colocamos este método em prática pela primeira vez nos X Games 15. Foi a primeira vez que o Park e a área de street foram construídas de concreto.
Os X Games tinham algumas rampas de madeira, então tomamos a decisão de adotar a mistura de concreto com a fibra de vidro e o resultado foi impressionante.
A partir desta experiência decidimos que daquele momento para frente todas as skateparks seriam feitas com a mistura com fibra.
Nos X Games 16 colocamos um novo teste em prática com uma espécie de espuma de concreto e foi uma nova surpresa.
Falando do Street League que é o nosso último projeto, nós estamos construindo um concreto muito fino com uma massa muito seca. É uma realidade completamente nova, pois não há o sol e o vento para secar o concreto.
Na etapa de Arizona nós só tivemos uma pequena trinca em toda área de Street, isso graças a fibra de vidro.

Como está este ano para vocês, a Califórnia Skateparks construiu Maloof Cup, X Games e agora a Street League?
Sim, Nós estamos tendo um ano bem animado. Nos X Games nós fizemos uma área muito bonita, em seguida veio o Malloof Cup de Costa Mesa e duas semanas depois a abertura da Street League. Em poucos meses nós construímos cinco áreas e destruímos logo em seguida. (Risos)
É muito bom se preocupar em construir uma área e em seguida ver os skatistas fazendo manobras inéditas nela, mesmo que as áreas sejam demolidas parte delas são aproveitadas em skateparks públicas. Em Arizona nós doamos os obstáculos para a comunidade, em Ontario nos usaremos todos os obstáculos em uma pista da cidade.
Rob Dyrdek tem um projeto chamado Safe Spot Skate Spot que doa dinheiro para construir pistas públicas. Além disso reciclamos todo o material usado na construção das áreas destes campeonatos.
Apesar de destruir este processo é muito importante para o nosso apredizado.
Podemos fazer testes e depois aplicá-los em pistas permanentes. É uma ótima forma para aprendermos com nosso erros e evoluir sempre.

Eu ouvi que vocês tem planos de expandir sua empresa para todo mundo?
Quando nós construímos a Megarrampa em São Paulo fomos contatados por muitas pessoas que estavam interessados em usar nossa mão de obra nas pistas locais.
Recebemos muitas ligações do Brasil, pessoas interessadas em aprender o nosso método.

Você pretende usar forca local na construção em áreas em diferentes partes do globo?
Nós acabamos de finalizar a construção da Woodward na China com mão de obra local sob a orientação da nossa equipe. Nós fizemos algo similar na construção da Megarrampa no Brasil.
Sempre estamos interessados em ajudar as comunidades a construir pistas de boa qualidade. Expandir nosso conhecimentos para diferentes lugares com mão de obra local será benéfico para todos.



Qual é a importância da arquitetura no design de uma skatepark?
Neste momento estamos trabalhando em um projeto de uma skatepark em Los Angeles que estamos pesquisando referências em 1920 para colocar isto em uma skateplaza. É muito importante usar a cultura local, a arquitetura local, fazer as pistas parecerem parte do ambiente.
É importante que uma skateplaza seja agradável para os skatistas e para o publico que mora ao redor do local. Nós precisamos atender a comunidade que é peça importante neste processo.
Qual foi o projeto que você considere sua obra prima?
Eu acabei de construir uma skatepark em Los Angeles chamada Stoner, esta é minha obra prima.
Eu andei nesta skateplaza, ela é perfeita.
Sim é uma Plaza muito bonita.
Falando em skateparks com transição construí uma em San José, Califórnia que tem uma fullpipe, mas Skateplaza a Stoner é minha favorita.
Conheça mais sobre o trabalho de Joe no site:
Vídeo: Passeio em 3d para Stoner Skateplaza:

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